Congressistas americanos ‘apertam’ CEOs das Big Tech

Como previsto, os CEOs de Facebook, Google, Apple e Amazon foram questionados de modo rígido por parlamentares dos EUA ontem.

Na prática, os depoimentos são apenas parte de um conjunto de investigações sobre práticas anticompetitivas e outras supostas irregularidades cometidas pelas empresas. Portanto, o conteúdo das declarações.

Ainda assim, a sessão serviu para mostrar a tensão entre quatro dos homens mais poderosos do mundo e

Google

Sundar Pichai, do Google, foi provavelmente o mais ‘fritado’, e teve que responder 16 questões ao todo.

Logo de cara, o parlamentar David Cicilline perguntou “Por que o Google rouba conteúdo de empresas honestas?”.

Ele se referia ao Google News, que exibe trechos de artigos de sites de notícias, e das páginas de resultados de busca que importam conteúdo diretamente dos sites e exibem as respostas sem que o internauta precise clicar em links.

Pichai se limitou a dizer que ‘discordava dessa classificação’ e defendeu os recursos como um benefício aos usuários.

Outros parlamentares acusaram o Google de prejudicar conteúdos de tom conservador, uma velha queixa do presidente Donald Trump e de aliados.

Um deputado chegou a perguntar se o Google mudaria seus produtos para ajudar a eleger Joe Biden nas eleições de novembro.

Novamente, Pichai rebateu as acusações e argumentou que “há mais vozes conservadoras do que nunca” no YouTube.

Facebook

Mark Zuckerberg também respondeu 16 perguntas, muitas delas relativas ao Instagram.

Os parlamentares revelaram e-mails de antes da aquisição, nos quais Mark Zuckerberg disse a executivos do FB que o Instagram “podia ferir o Facebook”

Zuckerberg foi então perguntado se o Facebook teria comprado o app apenas para eliminar um provável concorrente.

Zuckerberg argumentou que o sucesso do Instagram não era garantido na época e que o crescimento do app veio em decorrência de investimentos do Facebook.

Amazon

Jeff Bezos foi questionado se a Amazon agia como um bully contra pequenos negócios, e disse que a empresa “não agia assim”.

Após a resposta, Bezos teve que ouvir um áudio de um dono de uma pequena livraria.

Na gravação, ele disse que a Amazon restringiu as vendas da livraria até o ponto em que ela não conseguia mais vender. E-mails para a Amazon e Bezos foram ignorados, segundo o pequeno empresário. Momento constrangedor.

Um parlamentar citou ainda casos de empresas que viram suas vendas despencarem após a Amazon ‘clonar’ seus produtos e vender por preços menores.

Bezos negou as acusações e disse que o marketplace da Amazon beneficia seus parceiros e ajuda pequenos negócios.

Apple

Tim Cook foi o menos questionado, e as perguntas foram centradas na App Store.

Uma parlamentar perguntou porque a Apple removeu vários apps de controle parental logo após lançar seu próprio app, o ScreenTime.

Cook respondeu que a decisão foi tomada porque os apps usavam uma tecnologia que não era segura o suficiente.