Governo dos EUA processa o Google

O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) formalizou ontem o processo antitruste contra o Google. Este é o maior caso antitruste dos últimos 20 anos, comparável ao processo contra a Microsoft no fim dos anos 1990.

Na ação, o DoJ acusa o Google de usar seu enorme poder no mercado de busca para ‘atropelar’ rivais de forma ilegal, fora das regras de competição de mercado.

“Por anos, o Google tem feito acordos de exclusividade e adotado práticas anticompetitivas para ‘travar’ canais de distribuição e bloquear concorrentes. O Google paga bilhões de dólares para empresas como Apple, LG, Motorola, Mozilla, Opera, AT&T e outras para assegurar sua busca como padrão e, em muitos casos, proibir essas empresas de negociarem com rivais. Alguns desses acordos também exigem que as empresas deem destaque para outros apps do Google”, diz a ação.

Embora haja outros buscadores no mercado, o DoJ alega que a escala e o poder do Google deram à empresa um monopólio do mercado.

A ação não especifica quais medidas devem ser tomadas. O processo pede que, em primeiro lugar, a Justiça considere o Google culpado por realizar práticas anticompetitivas e, em um segundo momento, tome medidas para resolver a situação.

Uma das saídas em casos deste tipo poderia desmembrar a empresa, como foi feito com a AT&T nos anos 1970 (e quase feito com a Microsoft no fim dos anos 90).

Mas esta seria a medida mais extrema e mesmo entre as autoridades há quem discorde.

Como previsto, o Google se manifestou sobre o processo e condenou a iniciativa do DoJ.

Para a empresa, o processo é “profundamente falho” e não vai beneficiar em nada os consumidores.

“A legislação americana é projetada para promover a inovação e ajudar os consumidores, não para virar o jogo em favor de competidores particulares ou para tornar mais difícil para as pessoas receberem os serviços que elas querem”, disse o vice-presidente sênior do Google, Kent Walker.

Ele disse ainda que forçar os fabricantes de aparelhos e desenvolvedores de aplicativos a definirem “alternativas de busca de qualidade menor” como padrão não é benéfico para os consumidores.