Internet deve ter novas regras, diz Zuckerberg

Em artigo publicado no Washington Post, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook pede que governos colaborem para criar algumas regras para o uso da internet, particularmente para redes sociais.

Zuckerberg propõe novas regras em quatro áreas: conteúdo ofensivo, eleições, privacidade e portabilidade de dados. Vamos aos detalhes.

Conteúdo ofensivo

Essa área engloba uma grande variedade de conteúdos, desde posts que possam ser classificados como bullying até vídeos ao vivo de assassinatos, como ocorreu há algumas semanas na Nova Zelândia (o Facebook estuda restringir as transmissões ao vivo após o massacre).

“Reguladores me dizem sempre que temos muito poder sobre como as pessoas se expressam, e francamente concordo“, diz Zuckerberg. 

Para ele, autoridades devem estabelecer regras para definir o que é conteúdo ofensivo, e caberá a serviços como o Facebook basear-se nestas regras para remover material impróprio.

Esta medida de certa forma removeria a pressão sobre o Facebook, já que a empresa não teria mais que estabelecer suas próprias regras, mas apenas cumpriria leis.

Enquanto isso não ocorre, Zuckerberg salienta que o Facebook está estabelecendo um conselho externo para decidir sobre conteúdo ofensivo, como já comentado por aqui.

Eleições

Após a interferência de hackers russos nas eleições de 2016 nos EUA, o Facebook passou a ser duramente criticado por não monitorar adequadamente atividades políticas em seus serviços.

Nesta área, Zuckerberg pede que sejam criadas regras para definir o que é ou não um anúncio de cunho político, já que em muitos casos é difícil classificar as peças de publicidade.

Vale lembrar anúncios políticos são uma importante fonte de rendano Facebook, principalmente nos Estados Unidos. 

Privacidade

Zuckerberg pede que regras globais sejam criadas com base na GPDR, o conjunto de leis de privacidade em vigor na União Europeia.

Com regras globais, todos os usuários teriam os mesmos direitos e seria mais fácil para empresas criar serviços que atendam a todas as pessoas, independentemente de onde elas estão, argumenta o CEO do Facebook.

Zuckerberg afirma ainda que os países não devem exigir que dados de seus cidadãos sejam armazenados localmente, pois isso deixaria os dados mais vulneráveis a “acessos não autorizados”.

Portabilidade de dados

Finalmente, Zuckerberg afirma que transferir dados de um serviço para outro deve ser um direito de todos que usam a internet.

Ele pede que sejam criados padrões para facilitar esta transferência.