Irlanda questiona Apple sobre gravações de usuários da Siri

Como alguns leitores mais antigos devem lembrar, em agosto do ano passado foi revelado que funcionários terceirizados da Apple escutavam trechos de conversas de usuários de iPhone que usavam a assistente digital Siri.

Os funcionários escutavam um pequeno percentual de gravações com o objetivo de aprimorar a precisão do reconhecimento de voz da Siri. Mas isso não estava claro para os usuários e a coisa toda pegou mal, rendendo inclusive um pedido de desculpas da Apple.

Nesta semana, a Autoridade de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) – que regula as atividades de proteção de dados da Apple na Europa – entrou em contato com a empresa após um desses funcionários pedir providências em uma carta aberta.

Fala que eu te escuto

Thomas Le Bonniec trabalhava na equipe de aprimoramento de reconhecimento de voz da Siri, em Cork (Irlanda) e deixou a função por questões éticas.

Na carta Le Bonniec disse estar “preocupado com o fato de grandes empresas estarem ‘grampeando’ populações inteiras, apesar de a União Europeia dizer que tem leis rígidas para proteção de dados pessoais”.

Ele ainda deu detalhes de sua função. “Ouvia centenas de gravações por dia, muitas delas eram feitas mesmo que os usuários não acionassem o Siri. Ouvi pessoas falando sobre câncer, parentes mortos e drogas, sem que tivessem acionado a Siri. Essas práticas devem ser investigadas urgentemente”, pediu na carta.

Sobre a carta, o DPC diz que “aguarda respostas da Apple”.