Pressionado nos EUA, Google abre mão de controle da web

Já comentamos aqui recentemente sobre as investigações antitruste contra o Google nos EUA, e um ponto central é posição dominante da empresa na internet.

Afinal, o Google tem o buscador mais usado, o navegador mais popular, o sistema para smartphones líder de mercado e também a maior plataforma de publicidade digital.

Talvez em função da pressão das investigações, o Google aos poucos toma algumas discretas medidas para abrir mão de sua posição dominante na internet.

Em longa reportagem, Cnet comenta sobre como a empresa vem deixando que competidores tenham maior papel no desenvolvimento do Chromium, motor de busca usado no Chrome e em outros navegadores na web, como o Microsoft Edge e o Samsung Browser.

O projeto Chromium é open source, o que quer dizer que na teoria qualquer um pode colaborar e usar a tecnologia. Porém, como fundador e maior apoiador, o Google tem um peso decisivo sobre a evolução do sistema.

Recentemente, no entanto, a empresa tem permitido que apoiadores como Microsoft e Samsung colaborem mais para o projeto, e vem dando cargos de liderança a desenvolvedores de fora da empresa

Em outra decisão, o Google anunciou na semana passada que vai parar de privilegiar páginas AMP nos resultados de sua busca.

A tecnologia AMP foi criada pelo Google para, em tese, oferecer uma melhor experiência de navegação, particularmente em smartphones.

Entretanto, as páginas AMP adotam tecnologias proprietárias do Google e são hospedadas diretamente em servidores da empresa.

Por isso, já há algum tempo a empresa é criticada por tentar usar seu poder no buscador para ‘empurrar goela abaixo’ um novo padrão no mercado.

Com as duas decisões, o Google em tese fica mais blindado contra acusações de abuso de poder, centrais nos processos atualmente em curso nos EUA.